A paciente C.C.V., sexo feminino, 44 anos foi atendida em consultório odontológico particular. No exame clínico, constatou-se a presença de uma perfuração no soalho da camera pulpar no elemento dentário 47. Estava sem secreção e sem sintomatologia dolorosa à percussão e palpação.
Ao exame radiográfico evidenciou-se a destruição óssea na região de furca e periapical.

Na primeira consulta, foi feito a penetração desinfetante dos canais e um debridamento da borda da perfuração para que fosse possível uma melhor visualização da mesma. Desta forma, com o emprego de curetas foi removido o tecido de granulação. Após a hemostasia, aplicamos Hidróxido de Cálcio P.A. preenchendo toda a loja óssea. Nas consultas subsequentes o tratamento dos condutos foi realizado de maneira habitual, atentando para a não remover do Hidróxido de Cálcio P.A. da perfuração.

Sabendo-se da futura necessidade de um núcleo metálico fundido para a reconstrução coronária do elemento, foi feita a desobstrução do conduto distal previamente ao tratamento da perfuração, isto porque, não correremos o risco de deslocar o M.T.A. após a cristalização. Vedamos este espaço na altura da perfuração, com um curativo. Removemos então o Hidróxido de Cálcio que estava servindo de curativo da perfuração com irrigação abundante com soro fisiológico. Ao observarmos o interior da loja óssea, ela devera estar livre de hemorragia e secreções. Caso contrario, procedemos a troca deste curativo ate obtermos tal resultado.

Manipulamos então, conforme a orientação do fabricante, o M.T.A. na consistência de uma massa seca. Desta forma e possível a sua manipulação e condensação na cavidade com cones de papel ou condensadores digito-palmares. Foi feito um excesso que recobriu toda a borda da perfuração sem deixar obstruir a passagem para o conduto que será utilizado para a retenção do núcleo. Fechamos a camera com bolinhas de algodão saturadas no liquido de manipulação do M.T.A. conforme orientação do fabricante. Após sete dias fazemos a verificação da cristalização do M.T.A. passando a sonda exploradora no. 5 sobre ele e percebendo a sua consistência que devera ser dura. Desta forma podemos partir para a confecção do núcleo metálico, que devera ser feito e cimentado pelo Endodontista preferencialmente, devido aos motivos anteriormente citados.

RESULTADOS
Na proservação de 18 meses, o elemento estava assintomatico e foi possível evidenciar a formação do osso ao redor do material.

CONCLUSÃO
O M.T.A. parece preencher os requisitos necessário para ser um material ideal para tratamento de perfurações radiculares. Para termos mais certeza disto, serão necessários outros estudos com controles longitudinais. O M.T.A. apresenta como desvantagem o custo, que ainda é muito elevado.
1. TONOMARU FILHO, M. Retroinstrumentação com retrobturação: avaliação do selamento apical em função de diferentes cimentos endodônticos. Rev. Bras. Odont. V55, n 3, p. 180-183, 1998. 2. GIL NAZARENO, J. Obturação do canal radicular via retrógrada: avaliação dos materiais retrobturadores – revisão da bibliografia. . Rev. Bras. Odont. V55, n 1, p. 10-13, 1998. 3. TONOMARU FILHO, M. Avaliação “in vitro” da influência da contaminação pelo sangue no selamento apical de obturações retrógradas. Rev. Bras. Odont. V55, n 4, p. 242-245, 1998. 4. LEONARDO, M.R. Avaliação histopatológicas dos tecidos apicais e periapicais de dentes de cães após biopulpectomia e utilização de diferentes curativos de demora. Rev. Bras. Odont. V53, n 5, p. 14-19, 1996. 5. BRAMANTE, C.M. Capacidade seladora de alguns materiais utilizados em obturação retrógrada. Rev. Bras. Odont. V53, n 3, p. 53-55, 1996. 6. Lopes, H.P. et al Endodontia – Biologia e Técnica. 1a ed. Rio de Janeiro: RJ: Editora Médica e Científica ltda., 1999.
Dr. Eduardo Jenner G.C.
Cirurgião-dentista graduado, pela F.O.V. - RJ em 1986; Pós-graduado pela ABE em Cirurgia Paraendodôntica e em Laserterapia Endodôntica pela Kavo / Joinville; Especialista em Endodontia, pela ABO em 1995.
e-mail: endodontia@dentalcosmetica.odo.br
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