A epidemiologia foi inicialmente descrita como ciência nas grandes epidemias do século XIX, época na qual crises de saúde pública demandavam ações urgentes em um tempo cujo conhecimento das doenças era primário. O desenvolvimento da epidemiologia foi então conduzido por uma necessidade de saúde pública. A epidemiologia é definida como a ciência que estuda o processo saúde-doença na sociedade, analisando a distribuição populacional e os fatores determinantes das enfermidades, danos à saúde e eventos associados à saúde coletiva, propondo medidas específicas de prevenção, controle ou erradicação de doenças e fornecendo indicadores que sirvam de suporte ao planejamento, administração e à avaliação das ações de saúde (Almeida filho & Rouquayrol, 1992). Segundo o Guia de Epidemiologia e Diagnóstico das condições e doenças da mucosa bucal da Organização Mundial de Saúde (OMS), epidemiologia é o interesse no estudo de fatores que afetam a saúde de grupos de pessoas (OMS, 1980). Para se obter dados precisos sobre uma determinada população, seria necessário o exame de todos os elementos dessa população. Como isso normalmente não é possível, os dados devem ser baseados em amostras. Nesse caso, deve-se tomar cuidado para selecionar uma amostra suficiente e estar seguro de que ela é representativa da população que se quer estudar. É importante coletar informações de cada grupo ou comunidade a ser incluída no estudo para que alguns dados não sejam excluídos. A heterogenia da população pode influenciar a prevalência da doença e a demanda de serviços (OMS, 1980). Como a epidemiologia é uma ciência que se interessa pelo estudo das origens, prevalência, distribuição e condições em populações e comunidades, existem regras de pesquisa (Cutress, 1986). A metodologia epidemiológica pode então ser dividida em quatro etapas:
1- Epidemiologia descritiva: estudos epidemiológicos descritivos são muito usados no monitoramento de tendências das doenças na população, em que os resultados podem ser usados para planejamento e avaliação de programas de saúde, desenvolvimento odontológico e financiamento de cuidados dentais.
2- Formulação de hipóteses: teorias para explicar a distribuição de doenças associando causas diretas.
3- Epidemiologia analítica: estudos de observação que examinam hipóteses dos estudos descritivos.
4- Epidemiologia experimental: estudos para testar hipóteses dos testes analíticos e de observação. (Lindhe, 1992)
O exame clínico feito aleatoriamente é uma aplicação experimental do método epidemiológico. Muitos dos exames clínicos na pesquisa bucal tem sido direcionados para a prevenção da cárie. (Burt et al. 1989).
Uma série de estudos sobre prevalência ao longo do tempo pode ser utilizada para monitorar as tendências da doenças e a efetividade dos programas de tratamento preventivo. Os dados fornecidos por esses estudos são muito importantes e, aguardados por cientistas, educadores e administradores (Beck & Loe, 1993).
Levantamentos epidemiológicos em Odontologia, principalmente em saúde coletiva, são um instrumento fundamental em qualquer proposta ou programa que tenha como objetivo a saúde bucal de uma população. Várias são as utilidades destes levantamentos epidemiológicos, como nos mostra Ruy Laurent (1985) : " Em Saúde Pública, quer como finalidade epidemiológica, quer como finalidade de administração de serviços, são necessários dados . Estes, ao serem submetidos a determinadas elaborações, vão gerar informações. No âmbito da saúde da população, para que se possam conhecer os problemas prioritários são necessários dados que possibilitarão caracterizar qual ou quais são esses problemas e, assim, estabelecer programas de saúde que, após serem implantados, necessitam ser acompanhados e avaliados".
Segundo a Organização Mundial de Saúde , "levantamentos para determinar o estado de saúde bucal e as necessidades de tratamento de comunidades e populações são parte essencial das atribuições dos dirigentes e de outros administradores responsáveis pelos serviços odontológicos. Os objetivos de tais levantamentos são inicialmente fornecer um quadro das condições de saúde bucal e das necessidades de tratamento de uma população, e subseqüentemente, controlar as mudanças nos níveis ou padrão da doença. Desta forma é possível determinar a adequação e a eficácia dos serviços que estão sendo prestados e então planejar, ou replanejar, os serviços odontológicos e os Programas de treinamento de pessoal, conforme as necessidades".
Portanto, como visto, muito se pode obter com estes levantamentos, tamanha são as suas potencialidades. Eles podem ser usados para monitorar qualquer doença de responsabilidade da Odontologia, mas a cárie dental nos é de particular interesse por ser a doença mais prevalente e a que causa mais dano à população. (...continua)
Clique aqui para ter acesso ao conteúdo integral
Eduardo Henrique Lo`Buono Moreira
Cirurgião-dentista graduado, pela Universidade Gama Filho em 1989; Especialista em Odontopediatria pela USP- Bauru em 1994 - 1995; Fellow research in Ortodontia e Cirurgia Buco - Maxilo - Facial pela Clínica: Dr. Steve Cockeham Hattiesburg, MS - USA; Mestre em Odontopediatria, pela UERJ em 1996 - 2000; Professor auxiliar das disciplinas: Odontologia Coletiva pela Unesa (Estácio) e em Odontopediatria, pela Universidade Gama Filho.
|