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Microleakage study of various soft denture liners by autoradiography: Effect of accelerated aging
10/02/2002

Estudo da microinfiltração de vários forradores macios de próteses totais através de autoradiografia: efeito de envelhecimento acelerado

Anil N, Hekimoglu C, Buyukbas N, Ercan MT,

Universidade de Hacettepe, Ankara, Turquia.
Journal Prosthetic Dentistry, Outubro 2000

Declaração do Problema
A longevidade dos forradores macios de dentadura é um problema clínico importante. O descolamento do forrador macio, do material de base da prótese total é um dos fatores que influenciam a longevidade dela. O deslocamento do forrador macio pode ser atribuído a microinfiltração na interface.

Propósito
Este estudo investigou a microinfiltração na interface de vários forradores macios de prótese total e materiais de base.

Materiais e Método
Foram investigados seis forradores macios de dentadura. Foram preparados quarenta espécimes de cada material em forma de disco (10 mm em diâmetro, e espessura de aproximadamente 4 mm). Foram armazenados vinte espécimes de cada material em um acelerador de envelhecimento durante 900 horas. Durante 2 dias, todos os discos foram imersos dentro 45Ca solução de radioisótopo, então eles foram embutidos longitudinalmente em blocos de resina acrílica e seccionados. A imagem da autoradiografica foi usada para determinar microinfiltrações na interface dos forradores macios de prótese total e suas bases.

Resultados
Foram achadas diferenças significantes entre os materiais não envelhecidos (P <.05). A diferença entre Molloplast B e Mucopren (silanizado) não foi significante (P <.05). As diferenças entre os materiais envelhecidos foram significantes (P> .05). Diferenças entre Mucopren (não silanizado), Mucopren (silanizado), e Ufigel P-Tokuyama não foram significantes (P <. 05). Significativamente características diminuídas de microinfiltração foram determinadas pelos forradores macios de dentadura Molloplast B, Mucopren (não silanizado) e Ufigel P, depois de envelhecido.

Conclusão
As microinfiltrações dos forradores macios Mucopren e Molloplast B foram as mais baixas. Porém, as microinfiltrações no Flexor e Simpa foram as mais altas. O processo de envelhecimento não afetou significativamente as características de microinfiltração no Simpa, Flexor, Mucopren (silanizado), ou materiais da Tokuyama. Molloplast B, Mucopren (não silanizado), e Ufigel P devem diminuir significantemente as propriedades de microinfilttração depois de envelhecer.

ESTUDO DA MICROINFILTRAÇÃO DE VÁRIOS FORRADORES MACIOS DE PRÓTESES TOTAIS ATRAVÉS DE AUTORADIOGRAFIA: EFEITO DE ENVELHECIMENTO ACELERADO

As bases macias são importantes como auxiliares no tratamento dos pacientes que usam próteses totais, particularmente aqueles que têm qualquer comprometimento médico.1 A longevidade das bases macias é um grande problema. Esses materiais apresentam muitas falhas por motivos variados, tais como o endurecimento, absorção de odores, crescimento de bactérias, alterações de cor e descolamento da base da prótese. O descolamento da base da prótese pode ser atribuído à microinfiltração entre os dois materiais.

A microinfiltração pode ser definida como a passagem de bactérias, fluidos, moléculas ou íons entre a parede de uma cavidade e o material restaurador aplicado à ela.2 Vários estudos encontraram microinfiltração entre as paredes cavitárias e o material restaurador 3-6 e entre o material de uma Veneer e o material subjacente. 7-10 A longevidade bas bases macias é um grande problema; muito poucas da bases macias podem ser usadas por mais de 3 anos.11 Por outro lado, as bases de próteses duram muito mais. Entretanto, as bases macias mostram, com freqüência, alterações na cor e nas propriedades mecânicas e físicas, quando envelhecem.12-17

O propósito deste estudo era o de pesquisar a microinfiltração entre os diferentes materiais de bases macias e o material para bases de próteses subjacente, e o efeito do envelhecimento acelerado sobre a microinfiltração.

MATERIAIS E MÉTODOS
A tabela I apresenta os nomes e os fabricantes dos produtos utilizados na pesquisa. Foram preparados, para cada material, quarenta espécimens, em forma de discos de 10 mm de diâmetro e 4 mm de de espessura. Os discos de resina acrílica termopolimerizável (Meliodent, Bayer Dental, Bayer UK Limited, Bayer House, Newbury UK), foram desgastados com uma lixa úmida de carboneto de silício, de granulação de 220-, 400- e 600, de uso manual, até se tornarem superfícies planas. A espessura final de cada disco de resina acrílica era de aproximadamente 2 mm. Cada espécime foi submetido ao jato de areia com Al2O3 de 50mm. Cada espécime foi limpo em ultrassom por 5 minutos, em uma solução de detergente a 2%, e em seguida enxaguados em água destilada. Uma camada de base macia de 2 mm de espessura foi aplicada na superfície de resina acrílica asperizada no jato de areia, de acordo com as instruções do fabricante.

Procedimentos de Climatização
Vinte espécimens de cada material foram montados em um painel preso à estrutura de uma máquina de testes de climatização acelerada (QUV, The Q-Panel Company, Cleveland, Ohio) e mantidos ali por 900 horas. Na máquina de testes de climatização, os espécimens foram expostos continuamente à luz ultravioleta (UV) e à luz visível, em uma temperatura de 43,3°C, e a um ciclo programado de pulverização com um spray de água destilada de 18 minutos de duração, a cada 2 horas.12-14, 16, 19-21

Avaliação da Microinfiltração
Todos os espécimens foram imersos por 2 dias em uma solução que continha 45Ca. A concentração do radioisótopo era de 0,032 MBq/mL (0,1mCi/mL), na forma de cloreto de cálcio, com pH ajustado em 7, Depois de removido da solução de radioisótopo, cada espécime foi lavado em solução detergente. Cada espécime foi incluído em um bloco de resina acrílica autopolimerizável e seccionado longitudinalmente. A superfície seccionada de cada espécime foi colocada em um filme periapical ultraspeed por 4 dias, a fim de produzir as auto-radiografias. Os filmes radiográficos foram processados em um processador automático.

A microinfiltração na interface da resina acrílica e base macia foi determinada de acordo co a escala que se segue:9, 22, 23 0 = sem evidências de penetração ligeira de isótopos na interface da resina acrílica e da base macia; 1 = evidências de penetração ligeira de isótopos até um quarto da interface da resina acrílica e da base macia; 2 = evidências de penetração de isótopos até a metade da interface da resina acrílica e da base macia; 3 = evidências de penetração de isótopos até três quartos da interface da resina acrílica e da base macia; 4= evidências de penetração de isótopos recobrindo completamente toda a interface da resina acrílica e da base macia.

A fig 1 ilustra as várias escalas de microinfiltração nos espécimens.
As comparações estatísticas foram feitas pela análise de variância de Kruskal-Wallis e pelo teste U de Mann-Whitney (com correção de Bonferroni).

RESULTADOS
Microinfiltração de Materiais Não-envelhecidos
Conforme mostra a tabela II e a fig. 2, quando os materiais não-envelhecidos foram comparados, a microinfiltração entre eles foi significativamente diferente (P<,05), com exceção de quando o Molloplast-B e o Mucopren (não-silanizado) foram comparados (P>,05). A maior porcentagem (40%) do grau 0 de microinfiltração foi observada com o Mucopren (silanizado). A maior porcentagem (75%) do grau 1 de microinfiltração foi observada com o Mucopren (não-silanizado). O Mucopren (silanizado) (50%), o Tokuyama (55%) e o Molloplast-B (40%) vinham depois do Mucopren (não-silanizado). A maior porcentagem (50,5%) do grau 2 de microinfiltração foi observada como Ufigel P. Os outros materiais mostraram microinfiltração semelhante no grau 2. A maior porcentagem (20%) do grau 3 de microinfiltração foi observada com o Flexor. Os outros materiais mostraram microinfiltração semelhante no grau 3. A maior porcentagem (70%) do grau 4 de microinfiltração foi observada com o Flexor. O Simpa seguia-se ao Flexor com 40%.

Microinfiltração nos Materiais Envelhecidos
As diferenças encontradas entre a maioria dos materiais envelhecidos (tabela II e fig. 3) foram significativas(P<,05). Apenas as diferenças entre o Mucopren (não-silanizado) e o Mucopren (silanizado), e entre o Ufigel P e o Tokuyama não foram significativas. A maior porcentagem (60%) do grau 0 foi observada com o Molloplast-B. A maior porcentagem do grau 1 foi observada com o Mucopren (não-silanizado, 85%), o Ufigel P (60%) e o Tokuyama (55%). A maior porcentagem (20%) do grau 2 foi observada com o Flexor. Foi observado que os materiais mostraram a microinfiltração de grau 2 em porcentagens menores, e as maiores porcentagens no grau 3 (20%) foram encontradas com o Simpa. Além disso,os materiais mostraram a microin-filtração de grau 3 em porcentagens menores. A maior porcentagem do grau 4 foi observada com o Flexor (80%) e com o Simpa (35%).

Comparação da Microinfiltração Entre os Materiais Envelhecidos e Não-envelhecidos
As diferenças na microinfiltração entre o Simpa, o Flexor, o Mucopren (silanizado), e o Tokuyama envelhecidos e não envelhecidos (P>,05) foram insignificantes (tabela II). As diferenças na microinfiltração entre o Molloplast-B, o Mucopren (não-silanizado) e o Ufigel P, envelhecidos e não envelhecidos (P<,05), foram significativas. Os materiais envelhecidos exibiam uma microinfiltração menor.

DISCUSSÃO
Existem muitas pesquisas sobre as propriedades físicas e mecânicas dos vários materiais de base macia.13-15 este estudo foi efetuado porque se supõe que o descolamento da base macia do material da base da prótese é um motivo importante de falha. Este estudo pesquisou a microinfiltração entre a base macia e o material para base de prótese e o efeito do envelhecimento acelerado sobre as características de microinfiltração dos materiais.

O estudo da infiltração foi efetuado tanto in vivo quanto in vitro, mas este último é mais comum. As experiências in vitro se dividem principalmente em 2 categorias: aquelas nas quais um modelo clinicamente relevante é usado e que tentam reproduzir o ambiente oral, e aquelas em que o modelo não tem a mesma configuração e que se destina unicamente a testar o comportamento dos materiais. Além disso, muitas técnicas foram utilizadas para determinar a microinfiltração e incluem estudos com o uso de bactérias, ar comprimido, traçadores químicos e radioativos, pesquisas eletroquímicas, microscopia eletrônica de varredura e estudos sobre a penetração de corantes.11 O desenvolvimento dos isótopos radioativos para os estudos médicos resultou no aumento da sua disponibilidade para as pesquisas odontológicas. Os isótopos usados foram diversificados, tais como 45Ca, 131I 35S, 22Na, 32P, 86Rb e 14C.11

Going19 sugeriu que o uso dos radioisótopos proporciona detalhamento mais acurado nos estudos de infiltração, pois o menor isótopo mede apenas 40 nm, em comparação com a menor partícula de corante, que mede 120nm. Assim, a autorradiografia é ainda uma técnica qualitativa e sensível para determinar a infiltração. Não existem estudos que tenham avaliado a microinfiltração entre as bases macias e as bases de próteses de resina acrílica, portanto, nossos achados ou métodos não podem ser comparados com quaisquer outros estudos sobre a microinfiltração. Sendo assim, nós escolhemos a técnica de autorradiografia mais sensível para determinar a microinfiltração.
Os procedimentos de termociclagem foram utilizados em estudos de microinfiltração específicos para o material ou que correspondessem a um tempo determinado que fosse equivalente às condições encontradas in vivo.5-9 O procedimento de termociclagem consiste em submeter os materiais em teste a ciclos térmicos repetidos entre 5°C e 55°C, a intervalos de tempo determinados. Em nossa opinião, isso produz um efeito de choque, provocando, periodicamente, uma contração e uma expansão súbitas nos materiais.

Embora o ambiente oral seja mais complexo, esse tratamento de simulação do envelhecimento é útil para a comparação de materiais diferentes.12, 14, 17, 19-21 Em nosso estudo, foi usado um processo de envelhecimento acelerado no lugar da termociclagem. Um dispositivo envelhecedor foi usado para submeter as amostras à luz visível, à luz ultravioleta e a um spray de água destilada para simular o envelhecimento. O spray de água e a luz UV visível têm um efeito direto sobre as propriedades das bases macias e as fazem inchar, embora a luz UV possa alterar a morfologia do elastômero. O fabricante do instrumento de climatização estima que 300 horas de envelhecimento são equivalentes a um ano de função clínica.12

Alguns fabricantes começaram a produzir selantes porque suas bases macias tiveram microinfiltração recentemente. O Mucopren é produzido com seu selante. Esse selante é aplicado na junção da base de resina acrílica com a base macia, para fazer o selamento do espaço a fim de evitar a microinfiltração. No nosso estudo, foram feitos 2 grupos (um com selante e outro sem) para estudar o efeito do selante. O Mucopren não envelhecido e não-silanizado sofreu mais infiltração do que o Mucopren não envelhecido e silanizado. Não foram encontradas diferenças significativas entre o Mucopren não-silanizado e o silanizado ao fim dos procedimentos de envelhecimento. Esse achado pode ser devido à silanização, que aumentou significativamente ao fim do processo. O uso de selantes não era recomendado pelos fabricantes para os outros materiais testados no nosso estudo. Mais estudos são necessários para determinar a silanização nas propriedades de microinfiltração das bases macias. Não foi encontrada nenhuma diferença significativa entre o Molloplast-B não envelhecido e os outros materiais não envelhecidos (não-silanizado). As diferenças entre os outros materiais não envelhecidos foram consideradas significativas. Contudo, a infiltração nos materiais mostrou uma distribuição não semelhante, de acordo com a graduação.

O Mucopren (silanizado) e o Tokuyama não envelhecidos não mostraram nenhuma infiltração nos 4 graus, enquanto 70% das amostras de Flexor e 40% das amostras de Simpa sofreram infiltração de grau 4 (figs 2 e 3). O Flexor e o Simpa tiveram as taxas mais altas (80% e 35%, respectivamente) de infiltração de grau 4, após terem sido submetidos aos procedimentos de envelhecimento.

O Mucopren (não-silanizado), o Mucopren (silanizado) e o Tokuyama envelhecidos e não envelhecidos tiveram o grau 1 de infiltração em uma taxa muito mais alta. O processo de envelhecimento diminuiu a microinfiltração do Molloplast-B, do Ufigel P e do Mucopren (não-silanizado). O processo de envelhecimento teve efeito insignificante na microinfiltração dos outros materiais. Contudo, esses achados indicaram que o processo de envelhecimento não provocou aumento da microinfiltração das bases macias.

CONCLUSÕES
Dentro dos limites deste estudo, foram tiradas as seguintes conclusões:
1. O Mucopren e o Molloplast-B mostraram o menor grau de infiltração. O Flexor e o Simpa tiveram o maior grau.
2. As graduações de infiltração mostraram distribuições diferentes para os outros materiais.
3. Os procedimentos de envelhecimento afetaram as propriedades de infiltração do Simpa, do Flexor, do Mucopren (silanizado) e do Tokuyama em um grau insignificante. As alterações na microinfiltração observadas nos outros materiais testados indicou uma tendência significativa de diminuição.
A silanização das bases macias pode ser benéfica na redução da microinfiltração entre a base macia e a base de resina acrílica. Contudo, o efeito de redução do selante pode ser alterado com o envelhecimento.

Fonte: Journal Prosthetic Dentistry, Outubro 2000




Anil, N., Hekimoglu, C., Büyükbas, N. Ercan, M.

Professor Associado no Departamento de
Prótese Dental na Universidade de Hacettepe
Ankara - Turquia





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